Provençal ou Shabby Chic? Conheça o estilo europeu que vai do elegante ao romântico!

Com certeza você já ouviu falar em decoração Provençal e Shabby Chic. Ao me tornar Designer de Interior e começar a desenvolver alguns trabalhos, percebi que este tipo de estilo e decoração é um dos preferidos aqui na Itália, comecei então à pesquisar e me aprofundar nos temas e o que descobri é que existe muita confusão do que é Shabby Chic e do que é Provençal, por isso a pesquisa foi extensa! Visto que se trata de um estilo do século 16, para não ficar apenas na teoria, visitei alguns castelos para entender melhor o tipo de mobília que se usava, quais cores eram as mais usadas, seus significados, etc. O meu castelo ou palácio preferido, pelo fato de estar melhor preservado, com mobília e decoração originais, foi o Reggia de Caserta.

Um pouquinho do Reggia

Reggia di Caserta, traduzido em português é Palácio Real de Caserta, sendo Caserta a cidade onde ele se encontra, na região da Campania e a 200km de Roma. O Palácio tem 45.000 metros quadrados, 42 metros de altura, 05 andares, 1.400 cômodos e um jardim de 12 milhões de metros quadrados. Para quem quiser ver algumas fotos que fiz do local é só acessar meu Instagram aqui.

O estilo predominante da Reggia é o Barroco-Rococò. O terreno onde se encontra a Reggia foi comprada em 1750 pelo Rei Carlos III de Bourbon-Duas Sicílias (Bisavô da Imperatriz do Brasil Teresa Cristina, esposa do Imperador Dom Pedro II) . Em 20 de janeiro de 1752 começou a construção da residência real e seu termino se deu em 1847. Em 1943, por ocasiao da Segunda Gurerra Mundial, o terreno foi bombardeado no conflito tendo danificado o prédio parcialmente e a maior parte dos jardins, mas com o fim da guerra muitos esforços foram feitos para a restauração e em 1958 ficou pronto e foi aberto ao publico. Em 1997 se tornou Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

O que percebi é que a predominância das cores, na sua maioria, eram bege, azul e verde pálido e branco, o vermelho era reservado para as salas do trono, salão de baile Real ou os aposentos onde o rei trabalhava ou recebia autoridades em visitas oficiais, e um rosa pálido ou envelhecido encontrei somente nos aposentos de um casal real e no quarto de banho da rainha Maria Carolina. Já as paredes tinham cores mais escuras como verde, vermelho azul, amarelo, ou eram revestidas com tecidos em cores claras. Porque essas informações são importantes? São importantes porque servirá para distinguirmos o que é um estilo de decoração especifico.

Quero deixar claro desde já que o objetivo deste post é informar e ensinar algumas regras de decoração mas é obvio que cada um é livre para seguir ou não as dicas dadas aqui. Mas se você assim como eu, gosta de ambientes sofisticados, gosta de se manter informada, mas tem duvidas sobre o que é Provençal e Shabby Chic, vem comigo!

Shabby Chic

Shabby é uma palavra inglesa que traduzida pode significar Decaído, Pobre, Desgastado, mas não Usado, pois um móvel pode ser usado e mesmo assim parecer novo, intacto, por isso, Shabby Chic significa Desgastado Chique. Portanto, ao contrário do que se pensa, Shabby Chic não é um estilo de decoração mas sim o estado de um móvel. Porque? Por que ESTILO é um conjunto de características que distinguem ou identificam um determinado período, e um móvel Shabby, ou seja, com sinais de desgaste em sua tinta, pode ser de qualquer época e não de uma especifica, e o Chic se refere ao estilo do móvel e à como ele será usado na decoração, que será em um contexto mais refinado, mais sofisticado.

Um móvel Shabby pode ser desgastado naturalmente por causa do tempo ou pode se tornar Shabby através de uma pintura que o faça parecer desgastado, como por exemplo a Pátina.

O uso de moveis Shabby Chic, desgastados naturalmente, faz parte da decoração europeia há alguns séculos mas ele só se popularizou em outras partes do mundo a partir de 1989, quando a designer inglesa Rachel Ashwell se mudou da Inglaterra para os Estados Unidos e montou uma loja de móveis antigos desgastados ou que eram pintados, e adicionou um toque do estilo Provençal na decoração com babados, estampas florais, capas para sofás e cadeiras, etc. Com o tempo, essa reutilização de moveis caiu nas graças não só dos designers mas virou referencia popular pois assim poderiam reaproveitar os moveis já existente na casa sem gastar muito, e como se tratava de uma palavra francesa, os americanos preferiram encontrar uma palavra em inglês para se referir ao Provençal, e simplesmente começaram a chamar o estilo Provençal de Shabby Chic devido ao uso de moveis desgastados.

Moveis Shabby podem ser incorporados em todos os estilos e ficam super estilosos se souber como combiná-los ou poderá ficar bem confuso ou até poluído visualmente em vez de sofisticado e elegante.

Fonte Imagens: digsdigs.com/ casaomnia.com
Na primeira imagem vemos moveis Shabby em uma decoração em estilo Farmhouse, simples mas elegante. Na segunda imagem vemos moveis Shabby como a mesa, a cadeira, a luminária e o vaso, que foram incorporados no estilo Industrial.
Decoração estilo Provençal usando moveis Shabby de maneira Chic, por isso muitos chamam de Shabby Chic o estilo Provençal.
Fonte Imagem: digsdigs.com
Cozinha supostamente em estilo Shabby Chic . Fonte: Pinterest

Na imagem acima, se procurarmos na internet, ela está listada como Shabby Chic mas como vimos anteriormente, Shabby Chic é o estado de um móvel e não um estilo. Com certeza quem decorou queria um Provençal Romântico mas se perdeu nas referencias. Nesta cena temos uma mistura de Retro com Farmhouse e Provençal, mas nenhum foi definido. Obvio que mistura de estilos existe e que cada um decora como quiser, mas se você quer algo realmente funcional, elegante e sofisticado, procure por sites e redes sociais de profissionais, é o canal mais confiável para tirar referencias. O Provençal é um estilo que pode atender muito bem quem gosta do sofisticado ou do romântico. Mas afinal o que é Provençal? Vejamos.

Provençal

Provençal é um estilo de decoração que nasceu no século 16 – XVI, que compreende o ano de 1501 a 1600, na cidade de Provença, que fica no sul da França e faz fronteira com a Itália, onde a cidade, o campo e a praia se encontram.
Foi iniciado pelas populações mais abastadas da região que desejavam ter móveis semelhantes aos dos reis mas sem pagar preços tão altos, por isso a solução que encontraram foi pedir que os artesãos trabalhassem a madeira para criar móveis elegantes, dando atenção especial aos contornos delicados de cada móvel para ficar o mais parecido possível, para pagar menos, muitos preferiam ter apenas o assento estofado, quem podia pagar um pouco mais tinha encosto e assento estofado. Normalmente a madeira não era pintada, a não ser que se pagasse a mais por isso também, mas era de um tom mais amarelado para se parecer com os moveis dourados, ou eram de madeira clara para se aproximar dos moveis brancos com entalhes revestidos de ouro.

Já na região rural, os camponeses tinham os moveis mais simples e pintavam seus moveis de branco, azul claro, verde claro ou amarelo claro, que parecia bege, para renová-los e visto que não podiam adquirir moveis estofados, eles decoravam as cadeiras, poltronas ou bancos com almofadas e/ou capas, que na maioria das vezes eram branco, porque tecido tingido era caro, ou em algodão estampado que era o tecido mais barato, e o interior das casas ou eram pintados de branco, ou eram de madeira ou eram de pedras, com isso, o Provençal ganhou uma variação que é chamado em inglês de French Country, tipo “Fazenda Francesa” ou “Campo Francês”, mas em francês distingue-se entre Provençal e Provençal Rustico.

Os modelos acima, tirando a primeira que é Rococó, são os modelos que eram usados pela classe mais abastada mas que não eram da realeza ou nobres. Logo abaixo temos os modelos mais modernos e igualmente sofisticados, e por ultimo temos os modelos que eram usados pelos camponeses, o estilo Provençal Rustico ou French Country

Podemos enfatizar que nas casas dos camponeses, tecidos estampados eram muito usados mas não eram qualquer estampa, eram sempre florais pequenos, arabescos, listras, Vichy e a famosa Toile du Jouy, que também é chamada de estampa inglesa embora seja francesa. Quanto mais delicada a estampa, mais romântico era o ambiente, e o mesmo se aplica hoje. Enquanto nas casas de classe mais alta as estampas eram pouco usadas, a preferencia eram por cores como azul, verde e bege, sempre pálidos ou pasteis mas nunca azul bebê, verde agua ou claro. O rosa ficava reservado para os cômodos mais íntimos como quartos e banheiros, mas também nunca rosa bebê ou rosa chá mas sim rosa antigo.


O Provençal nos nossos dias.

Hoje em dia não é preciso garimpar uma loja de antiguidades para encontrar moveis em estilo Provençal, já é possível encontrar cadeiras, poltronas, sofás e até cozinhas neste estilo. Se você tiver moveis antigos e quiser pintá-los para reaproveitá-los, melhor ainda. Lembre-se que menos é mais, isso significa estar atenta para não entulhar o ambiente, escolher as cores e estampas na medida certa. Objetos decorativos como luminárias tipo candelabros, em metal velho ou cristal e tecido, espelho e/ou molduras trabalhadas, vasos em cerâmica ou metal, jarros , cestas de vime, candelabros em madeira, tudo isso é bem vindo, se usado na medida certa. Para ajudar nesta tarefa, postarei abaixo os dois “tipos” de decoração que podemos usar no Provençal com um toque de modernidade.

Espero que essa matéria seja de ajuda para te ajudar na criatividade na hora de decorar seu lar nesse estilo tão lindo, pois foi feito com muito carinho e pesquisas de meses!

Quero ressaltar mais uma vez que embora o estilo Provençal, assim como qualquer outro, tenha suas regras, e cada um faz o que bem quer na hora de decorar sua casa, a finalidade dessa matéria é informar e ajudar se por acaso você quiser ter certeza que nada sairá errado! Se precisar de mais inspirações ou referencias, veja alguns alguns álbuns na pagina Visual Casa Decor. Se tiverem alguma duvida ou busca uma consultoria profissional, pode me mandar mensagem lá pagina.

Um forte abraço!!!

Camila Narracci.

Fontes:

  • Maison en Provence – Editions Massin
  • Le Gran Livre de la Provence – Editions Campanile
  • Dictionnaire Fondamental Français-Provençal – J.-P. Gisserot (éditeur) Philippe Blanchet (auteur)
  • Mobilier Provençal – Editions Massin
  • Architettura, Poesia e Numero nella Reggia di Caserta. Ediz. ampliata –  George Leonard Hersey
  • La reggia di Caserta – Gino Chierici/ Ist. Poligrafico dello Stato, 1999
  • Provence Interiors – Taschen
  • Provence, l’art des maisons – Robert Gervais 

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